O Simbolismo no Brasil
Texto extraído em http://linguaberta.blogspot.com.br/2011/11/o-simbolismo-no-brasil.html acesso em 01/03/2013
Nas últimas décadas do século XIX, em meio à onda de
cientificismo e materialismo que deu origem ao Realismo e ao Naturalismo, surge
um grupo de artistas e intelectuais que põem em dúvida a capacidade absoluta da
ciência de explicar todos os fenômenos relacionados ao homem. Não creem no
conhecimento “positivo” e no progresso social prometidos pela ciência.
Pensam que, assim como a ciência,
a linguagem é limitada. A primeira, para traduzir a complexidade humana, a
segunda, para representar a realidade como ela de fato é, podendo, no máximo,
sugeri-la.
Tanto o Simbolismo francês quanto
o Simbolismo brasileiro foram fortemente influenciados pela obra de Charles
Baudelaire (1821-1867), poeta pós-romântico considerado o precursor do
movimento simbolista.
CARACTERÍSTICAS DO SIMBOLISMO
Ø Subjetivismo
Ø Linguagem vaga, fluida, que busca sugerir em vez de nomear
Ø Abundância de metáforas,
comparações, aliterações, assonâncias e sinestesias.
Ø Cultivo do soneto e de ouras
formas de composição poética.
Ø Antimaterialismo, antirracionalismo.
Ø Misticismo, religiosidade.
Ø Interesse pelas zonas profundas da
mente humana e pela loucura.
Ø Pessimismo, dor de existir.
Ø Interesse pelo noturno, pelo
mistério e pela morte.
Ø Retomada de elementos da tradição
romântica.
CONTEXTO HISTÓRICO
Simbolismo e decadentismo
A poesia universal é toda ela na
essência simbólica.Os símbolos povoam a literatura desde sempre. [...] Todavia,
ao longo da década de 1890, desenvolveu-se em França um movimento estético a
princípio apelidado “decadentismo” e depois “Simbolismo”. Por muitos aspectos
ligados ao Romantismo e tendo tido berço comum com o Parnasianismo, o
Simbolismo gerou-se como uma reação conta a fórmula estética parnasiana, que
dominara a cena literária durante a década de 1870, ao lado do Realismo e do
Naturalismo, defendendo o impessoal, o objetivo, o gosto do detalhe e da
precisa representação da natureza [...].
Posto não constituísse uma
unidade de métodos, antes de ideais, o Simbolismo procurou instalar um credo
estético baseado no subjetivo, no pessoal, na sugestão e no vago, no misterioso
e no ilógico, na expressão indireta e simbólica. Como pregava Mallarmé, não se
devia dar nome ao objeto, nem mostrá-lo diretamente, mas sugeri-lo, evoca-lo
pouco a pouco, processo encantatório que caracteriza o símbolo.
[...] Por volta de 1880,
espalha-se a ideia de decadência, caracterizada por Paul Bourget em um artigo
em que ele identifica o estado de decadência com Baudelaire, místico, libertino
e analisador, típico de uma série de indivíduos “incapazes de encontrar seu
lugar próprio no trabalho do mundo”, lúcidos para com “a incurável máscara de
seu destino”, pessimistas e individualistas extremos, querendo submeter o mundo
às suas necessidades íntimas, e sentindo a época como de crise e enfado, fadiga
e degenerescência, dissolução e má consciência.
(Afrânio Coutinho. Introdução à literatura no Brasil. 10ª
Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. p. 214-5)
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